A Abordagem Triaxial da Comunicação é um modelo teórico e aplicado desenvolvido por Rubens Macouff.
Não pretende resolver o que está por trás do repertório de cada indivíduo.
Pretende dar à pessoa um mapa de como esses elementos aparecem na comunicação dela, para que possa navegar com agência.
Sem agência, a pessoa opera a própria comunicação de maneira tão automática quanto o ato de respirar; funciona, na maior parte do tempo.
Mas quando precisa usar a comunicação como ferramenta, no trabalho, nos relacionamentos, nas decisões que importam, percebe dificuldades que antes eram invisíveis.
E quase sempre trata essas dificuldades como traços de personalidade.
Por isso, a tese divide a comunicação em três grandes eixos e três axiomas:
O modelo parte de três observações sobre a natureza da comunicação.
Não são conclusões a serem provadas, mas pontos de partida para a compreensão.
Quando alguém diz “eu te amo”, não está expressando exatamente o que sente.
Está dizendo que o que sente se parece com aquilo que se convencionou chamar de amor. A palavra é comum. O sentimento é singular. Essa distância entre o que se quer dizer e o que se consegue dizer nunca chega a zero.
E o problema vai além das palavras.
Mesmo que alguém conseguisse traduzir perfeitamente o que pensa, a outra pessoa interpretaria a partir do próprio repertório: suas vivências, memórias, valores, cultura.
São duas imperfeições empilhadas: a perda na hora de transformar pensamento em linguagem, e a perda na hora de o outro transformar linguagem em entendimento.
Isso não tem conserto.
Toda comunicação é operação por aproximação.
Saber disso muda dois lados ao mesmo tempo: para fora, impede que a pessoa trate a incompreensão do outro como defeito dele.
Para dentro, impede que trate as próprias dificuldades como traços fixos de quem é.
A analogia mais precisa é a respiração.
Uma pessoa respira involuntariamente, o tempo todo, sem pensar em como, quando ou em que velocidade.
Mas pode, intencionalmente, mudar o tipo de respiração, fazer exercícios respiratórios para um fim específico. Por um instante, exerce agência sobre a forma. Quando termina, o processo volta ao seu estado automático.
A comunicação funciona da mesma maneira.
Se uma pessoa existe em algum lugar, existe usando alguma roupa, em determinada posição, com determinada expressão.
O silêncio comunica. A ausência comunica.
O pé batendo no chão comunica impaciência, mesmo que ninguém diga “estou impaciente”. A feição de raiva comunica ao mundo ao redor o que a pessoa está sentindo, sem que uma única palavra precise ser dita.
Alguém poderia ouvir que a comunicação nunca será perfeita e concluir: “se nunca vou ser entendido, por que me esforçar?” A resposta está aqui: porque a pessoa vai comunicar de qualquer jeito.
A questão nunca é se vai comunicar, é como. Quem não se esforça para ter consciência sobre a própria comunicação não está em repouso.
Está comunicando sem agência.
Toda relação humana passa pela comunicação e é determinada por ela.
Relações de trabalho, amorosas, familiares, sociais e a relação da pessoa consigo mesma. A comunicação não é um instrumento que se usa para se conectar ao mundo, é a condição na qual se existe no mundo.
Os três axiomas operam juntos.
A imperfeição crônica gera a necessidade de esforço consciente.
A inescapabilidade elimina a opção de não se esforçar.
E a comunicação como condição permanente garante que o impacto desse esforço, ou da falta dele, alcança tudo: relações, trabalho, identidade, a própria compreensão de quem a pessoa é.
A maioria das pessoas, quando pensa em melhorar a comunicação, pensa em oratória, em técnica de apresentação, em aprender a argumentar melhor.
Olham para a superfície. E a superfície é real, é importante, mas é só uma parte.
Por baixo dela existem duas camadas que quase ninguém enxerga, e é justamente nelas que mora a maior parte dos problemas. Quanto mais fundo se vai na comunicação, mais se entende o que está acontecendo e mais condições se tem de mudar de verdade.

A camada mais profunda.
Como a pessoa percebe a si mesma, interpreta a realidade e sustenta suas escolhas.
O diálogo interno: o que a pessoa diz para si mesma sobre quem ela é, o que sente, o que quer. Essa camada é invisível para quem está de fora e quase invisível para a própria pessoa.
Mas é ela que dá forma a tudo que vem depois.
Quando está comprometida, quando a pessoa não tem clareza sobre o que pensa e o que sente, tudo acima fica comprometido.

A camada intermediária. A primeira camada de externalização.
Postura, tom, ritmo, escuta, reação emocional.
Tudo o que a pessoa comunica sem intenção deliberada de causar efeito no outro.
A expressão humana é legítima por si só e não pode ser medida como competência.
A maioria das pessoas opera aqui no automático, sem perceber o que está comunicando.
Diz algo achando que está expressando um sentimento, quando a intenção inconsciente era outra. Esse erro não é de técnica, é de consciência.

A superfície visível.
Ferramentas, estratégias, técnicas. Oratória, escrita, negociação.
É quando a pessoa usa a comunicação com intenção de alcançar um objetivo específico.
Indispensável, mas completamente dependente das duas camadas anteriores.
Focar só aqui é treinamento cosmético: melhora a forma, mas não sustenta o resultado.
É como afinar um instrumento musical sem saber tocar.
A pessoa não sabe em qual camada está operando. Age no expressivo achando que está no instrumental, ou o contrário.
Sem esse mapeamento, qualquer tentativa de melhoria é um tiro no escuro.
Quando a pessoa ganha consciência sobre como opera, ganha também a capacidade de decidir o que fazer. A isso o modelo chama de agência.
Não é controle: a ansiedade não vai desaparecer, o medo não vai sumir.
Mas a pessoa passa a ter condições de decidir o que fazer com eles presentes, em vez de ser conduzida por eles.
Boa parte do que as pessoas tratam como “eu sou assim” é, na verdade, “eu me comunico assim e não sabia que podia ser diferente”.
O traço de personalidade que parecia fixo se revela como padrão comunicativo que admite variação.
O modelo não muda quem a pessoa é. Muda o que ela acha que é fixo nela.
Quando a pessoa está expressando, externalizando o que sente sem intenção de causar efeito, o olhar adequado é de reconhecimento.
Observar, entender, aceitar.
Expressão não se corrige como se fosse erro.
Quando a pessoa está usando a comunicação como ferramenta, para persuadir, negociar, liderar, resolver, o olhar adequado é de desenvolvimento. Aí sim, cabe avaliar, praticar, aprimorar.
A maioria dos problemas nasce da confusão entre esses dois modos.
A pessoa tenta corrigir o que deveria apenas reconhecer, ou deixa no automático o que deveria estar desenvolvendo.
A Abordagem Triaxial é, ao mesmo tempo, uma ferramenta de auto-observação e uma metodologia para aprimorar a comunicação.
Ajuda a pessoa a enxergar como a comunicação dela funciona, onde estão os desalinhamentos, e oferece caminho concreto para desenvolver cada camada.
O que não está ao alcance do modelo, como traumas, condições neurológicas ou o peso da cultura, ele reconhece como contexto.
A consciência sobre esses fatores ajuda a pessoa a tomar melhores decisões comunicativas na presença deles, mesmo sem poder eliminá-los.
O que a pessoa ganha ao compreender esse modelo não é perfeição na comunicação, é liberdade para operar com consciência dentro de um processo que é, por natureza, imperfeito, inescapável e definidor de quem ela é no mundo.
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